terça-feira, 15 de Abril de 2014

PAIXÃO SEGUNDO SÃO MATEUS BWV244 / MATTHÄUS PASSION BWV244, Fundação Gulbenkian, Abril / April 2014




Como tem sido (excelente) hábito, a Fundação Gulbenkian ofereceu-nos a possibilidade de desfrutar uma Paixão na semana da Páscoa. Este ano foi, novamente, uma obra prima, a Paixão segundo São Mateus BWV244 de Johan Sebastian Bach.

Dirigiu o Coro Gulbenkian, a Orquestra Gulbenkian e o Coro Infanto-Juvenil da Universidade de Lisboa o conceituado maestro Michel Corboz.


 Foram solistas o soprano francês Sandrine Piau, o contratenor espanhol Carlos Mena, o tenor francês Vincent Lièvre-Picard, o tenor alemão Christoph Genz, o baixo português André Baleiro e o barítono inglês Peter Harvey.




 O início do concerto, no dia a que assisti, foi algo conturbado, com vários desencontros entre os músicos, que poderiam comprometer a qualidade do espectáculo. Mas o competente maestro Corboz rapidamente controlou a situação e ofereceu-nos, mais uma vez, um excelente espectáculo.


 Tanto a prestação dos solistas da orquestra como a dos solistas vocais não foi uniforme. Limitar-me-ei a salientar aqueles que, em minha opinião, se destacaram pela positiva.

Na orquestra foram excelentes Pedro Ribeiro e Nelson Alves nos Oboés de Amor e Marc Ramirez no contrabaixo.

De entre os solistas, os que mais me impressionaram foram Sandrine Piau, Carlos Mena, Peter Harvey e, sobretudo, André Baleiro que foi um Cristo irrepreensível.



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MATTHÄUS PASSION BWV244, Gulbenkian Foundation, April 2014

As has been (excellent!) habit, the Gulbenkian Foundation offered us the possibility to enjoy a Passion in Easter week. This year was again a masterpiece, the Matthäus Passion BWV244 by Johan Sebastian Bach.

Renowned maestro Michel Corboz directed the Gulbenkian Choir, the Gulbenkian Orchestra and the Chorus of Children and Adolescents of the University of Lisbon.

Soloists were French soprano Sandrine Piau, Spanish countertenor Carlos Mena, French tenor Vincent Lièvre-Picard, German tenor Christoph Genz, Portuguese bass André Baleiro, and English baritone Peter Harvey.

The beginning of the concert, the day I attended, was something troubled with various mismatches among musicians, that could have compromised the quality of the performance. But the competent conductor Corboz quickly controlled the situation and offered us, once again, a great performance.

The performance of either of the soloists of the orchestra as the vocal soloists was not uniform. I will highlight those who, in my opinion, stood out positively.

Excellent soloists from the Orchestra included Pedro Ribeiro and Nelson Alves in Oboes and Marc Ramirez on bass.

Among the vocal soloists, those whoo impressed me most were Sandrine Piau, Carlos Mena, Peter Harvey and, especially, André Baleiro that was an excellent Christ.

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sexta-feira, 11 de Abril de 2014

LA BOHÈME, MetLive, Fundação Gulbenkian, Abril de 2014

(review in english below)

La Bohème, de G. Puccini foi transmitida em diferido da Metrepolitan Opera. A história de amor entre o poeta Rodolfo e a tuberculosa Mimi está recheada de momentos musicais de grande lirismo e intensidade dramática que fazem desta ópera uma das mais apreciadas do compositor. Já tinha visto esta produção de Zeffirelli no Met, como referi aqui, e conto-me entre os que muito a admiram, apesar de ter sido estreada em 1981. Toda ela é fantástica mas o esplendor do 2º Acto no Café Momus e a eficácia do 3º Acto na Barrière d’Enfer são magníficas.

Dirigiu o maestro Stefano Ranzani. Orquestra e Coro da Metropolitan Opera, como sempre, em grande.

Kristine Opolais foi uma substituta de última hora de Anita Hartig. Havia cantado a Butterfly na véspera, um feito notável, devidamente assinalado por Peter Gelb. A cantora tem uma voz poderosa, bem timbrada, mas a interpretação foi excessivamente dramática, faltando-lhe a simplicidade e ingenuidade características da Mimi, sobretudo nos dois primeiros actos. Muito boa presença em palco.

Vittorio Grigolo comparou-se a Pavarotti, mas só mesmo por serem ambos italianos. A voz é decente e segura, embora não muito encorpada. O seu Rodolfo esteve muito aquém do desejável. O que teve a mais cenicamente, faltou-lhe na voz -  emotividade, essencial na personagem. Para mim foi a pior interpretação que vi dele porque não parecia estar a “viver” a personagem.


Susanna Phillips foi, de longe, a melhor solista em palco. Fez uma Musetta excepcional. Voz bela e fresca, grande expressividade, genuinidade e alegria. E uma interpretação cénica insuperável. Fantástica.

Massimo Cavalletti também deixou uma muito boa impressão como Marcello. Donald Maxwell foi um Benoit digno. Já Patrick Carfizzi como Schaunard e Oren Gradus como Colline tiveram interpretações banais.


Uma Bohème que valeu, sobretudo, pela encenação e pela Musetta (Susanna Phillips).

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La Boheme  MetLive, Gulbenkian Foundation, April 2014

La Boheme by G. Puccini was broadcast deferred from the Metrepolitan Opera. The love story between the poet Rodolfo and tuberculosis Mimi is full of musical moments of great lyricism and dramatic intensity that make this one of the most beloved operas by the composer. I had seen this production by Zeffirelli at the Met, as I mentioned here, and I am one of those who really admire it, despite being premiered in 1981. All the production is fantastic but the splendor of the 2nd Act at Café Momus and the effectiveness of the 3rd Act at Barrière d' Enfer are magnificent.

The musical direction was of maestro Stefano Ranzani. The Orchestra and Chorus of the Metropolitan Opera was, as always, great.

Kristine Opolais was a last minute replacement of Anita Hartig. She sung Butterfly the day before, a remarkable achievement, duly noted by Peter Gelb. The singer has a powerful voice annice timbre, but the interpretation was overly dramatic, lacking the simplicity and ingenuity characteristic of Mim , especially in the first two acts . Her stage presence was very good.

Vittorio Grigolo compared himself to Pavarotti, but I think the only point in common is that they are both Italian. The voice is decent and firm, although not very full-bodied. His Rodolfo was far from the desirable. What was excessive scenically, lacked in voice - emotiveness, essential in this character. For me it was the worst performance I've seen  by Grigolo because he seemed not to be "living" Rodolfo.

Susanna Phillips was by far the best soloist on stage. She performed an exceptional Musetta. Fresh and beautiful voice, great expressiveness, authenticity and joy. And with an unsurpassed scenic interpretation. Fantastic.

Massimo Cavalletti also left a very good impression as Marcello. Donald Maxwell was a worthy Benoit. Patrick Carfizzi as Schaunard and Oren Gradus as Colline had trivial interpretations.

A Bohème 
valuable only due to the production and to Musetta ( Susanna Phillips).

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sábado, 5 de Abril de 2014

QUARTETT de LUCA FRANCESCONI, Fundação Gulbenkian, 01.04.2014

(Review in English)
(www.facebook.com/fanaticos.opera)

(fotos de www.gulbenkian.pt)

A ópera Quartett do iltaliano Luca Francesconi foi estreada em 2011 no Teatro alla Scalla de Milão. O libreto em inglês é do próprio compositor e baseia-se em Quartett de Heiner Muller que, por sua vez, se inspirou no romance Le liaisons dangereuses de Pierre de Laclos.

O Fanático Um teve oportunidade de assistir à sua estreia em Milão. Poderão ler aqui a sua apreciação. A minha, volvidos 3 anos e visionada na Fundação Gulbenkian, não difere substancialmente.


Poderão ler uma sinopse neste link para o programa de sala. Nele encontrarão textos do encenador Álex Ollé e do compositor Luca Francesconi. Soa-me sempre a pretensiosismo quando os autores têm de nos vir explicar o que fizeram e orientar o nosso entendimento. E  se é claro que esta ópera será considerada por diversos pseudo-intelectuais como uma obra visionária dos tempos modernos, eu, num rasgo de absoluta genialidade francescónica, considero que estamos perante um novo género musical. Preparados?


Ópera hardcore génito-sexual-sacro-herética metafórica. Que acham? A obra está impregnada de imagens, alegorias, metáforas sexuais com ligação anticlerical evidente, mas de um gosto decadente omnipresente.


Se até posso considerar interessante a música com instrumentação pequena, com recurso a gravações e a voz e som amplificados e canto por vezes agreste — digo mais, até a segui sem sacrifício e com interesse e acho que as ligações foram bem conseguidas (isto apesar de não ser o meu género) —, o texto é de um mau gosto gritante. E não! Não foi por me sentir desconfortável com o conteúdo: trata-se apenas de ser, de facto, uma forma grotesca de tratar o tema. Parece que a vivência da sexualidade terá de ter sempre uma relação a uma religiosidade balofa e castradora. Parece que a sexualidade não pode ser vivida sem balizas religiosas. Parece que a ideia de sexo e pecado é uma ligação perigosa inquebrável. Parece que Francesconi não se libertou dessa visão. Parece que a quer perpetuar. Em suma, há dois Luca Francesconi: o da música tolerável e o do libreto deplorável.


A Orquestra Gulbenkian dirigida pela especialista em Quartett Susanna Malkki esteve em bom nível.


Os cantores também estiveram em muito bom plano. Allison Cook, mezzo-soprano que fez de Marquesa, teve uma projecção vocal irrepreensível e uma óptima prestação cénica. Também o barítono Robin Adams como Visconde esteve muito bem vocal e cenicamente. Ambos deram voz e corpo a duas personagens densas e complexas com várias metamorfoses difíceis de tornar vivas.


A encenação de Álex Ollé com cenografia de Alfons Flores foi, sem dúvida, o melhor da noite. É extremamente difícil encontrar um guião para encenar este texto, mas Ollé fê-lo de forma sublime, tornando este Quartett um espectáculo visualmente muito impactante e agradável de seguir. Se alguma coisa me faria repetir a visualização desta ópera é a encenação que é genial.


Faz uma utilização de projecções em vídeo extremamente interessante e coerente e projecta a acção num espaço fechado cúbico e em plano elevado, pobre em elementos cénicos e que centra a acção no duo de personagens.


Destaque para a dificuldade técnica em colocá-la a funcionar na Fundação Gulbenkian: veio provar que o novo anfiteatro está capaz de tudo!


No final, saí com a sensação de que tinha assistido a um espectáculo multimedia com música, vídeo e voz de interesse médio, cuja encenação exaltou, e um texto muito discutível, mas que, ao sê-lo, torna esta obra mediática.

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(Review in English)

The Luca Francesconi's opera Quartett was premiered in 2011 at the Teatro alla Scalla (Milan). The English libretto was written by the composer himself and is based on Quartett by Heiner Muller who, in turn, was inspired by the novel Le liaisons dangereuses by Pierre de Laclos.

The Fanatic One had a chance to attend Quartett world premiere in Milan. You may read here his assessment. My opinion does not differ substantially relative to this opera.

You can read a synopsis on this link. In it you will find texts by stage director Álex Ollé and composer Luca Francesconi. It always sounds pretentiousness when the authors have to come in and explain what they did to guide our understanding. And it is clear that this opera is considered by many pseudo-intellectuals as a visionary work of modern times. I, in a fit of absolute francesconic genius, believe we are facing a new musical genre. Ready?

Hardcore genito-sexual-sacro-heretic metaphoric opera. What do you think? The work is imbued with images, allegories, metaphors with sexual anticlerical obvious link, but of an ubiquitous decadent taste.

If I can even find interesting music with little instrumentation, using recordings and voice and sound amplified and singing sometimes harsh - say more, I followed it without sacrifice and with interest and I think the connections were well achieved (despite this kind of music is not my genre) - the text is a blatant bad taste: and no! Not because I feel uncomfortable with the content: it is only because of a grotesque way of treating the subject. In short, there are two Luca Francesconi: the tolerable music composer and the deplorable libretist.

The Gulbenkian Orchestra led by Quartett expert Susanna Malkki was at a good level.

The singers were also in very good plan. Allison Cook, mezzo-soprano who made Marquise, had a faultless vocal projection and scenic optimum performance. Also baritone Robin Adams as Viscount was fine vocal and scenically. Both gave voice and body to two dense and complex characters with various metamorphoses difficult to make living.

The staging of Álex Ollé with scenography by Alfons Flores was undoubtedly the best of the night. It is extremely difficult to stage this text, but Ollé did so in sublime form, making this a visually very impactful and enjoyable to follow. If anything would make me repeat viewing of this opera is the scenario that is genius.

Makes a use of video projections in extremely interesting and coherent way, projecting the action in a large cubic enclosure, scenic and action that focuses on the characters duo.

Emphasis on the technical difficulty to put it to work in the Gulbenkian Foundation: this stage has proved that the new amphitheater is capable of anything!

In the end, I left with the feeling that I had witnessed a multimedia show with music, voice and video of average interest whose staging exalted, and a very debatable text, but at the  end is the text that makes this work mediatic.

domingo, 30 de Março de 2014

LES PÊCHEURS DE PERLES (Os Pescadores de Pérolas), Zurique, Fevereiro de 2014 / Opernhaus Zürich, February 2014




(review in english below)

Les Pêcheurs de Perles é uma ópera de Georges Bizet com libretto de Eugène Cormon e Michael Carré. A acção passa-se no Ceilão.
Os pescadores de pérolas elegem Zurga como seu chefe. Nadir, um antigo amigo de Zurga surge e os dois recordam que ambos se apaixonaram por uma mulher mas, renunciaram amá-la e juraram amizade eterna. Surge uma sacerdotisa virgem coberta com um véu que vem proteger os pescadores. Nourabad, sumo sacerdote, recebe-a e diz-lhe que nunca pode tirar o véu. Nadir reconhece nela a sua amada Leila, com quem traiu Zurga no passado. Amam-se novamente e são encontrados por Nourabad. Os pescadores querem matar Nadir e Leila mas Zurga recorda que é ele quem decide e resolve condená-los à morte. Leila pede-lhe para poupar Nadir dado que ele a encontrou por acaso. Zurga diz que a traição de Nadir não permite poupar-lhe a vida mas é atormentado pelo amor que também sente por Leila. Quando Nadir e Leila estão perto da execução, surge Zurga que mostra uma luz no céu que é um sinal divino. Os pescadores fogem e Zurga confessa que foi ele que acendeu o fogo para poupar a vida dos amantes e ajudá-los a fugir, cumprindo o seu dever.


 A encenação Jens-Daniel Herzog é muito interessante. A acção passa-se num navio e é trazida para os dias de hoje. O palco tem três níveis. No inferior estão os pescadores e os trabalhadores que retiram as pérolas das ostras, num ambiente opressivo, vigiados por guardas armados, no nível médio está o camarote de Zurga, com cama e um escritório, onde guarda as pérolas que lhe são trazidas e, no nível superior, onde está escrita a expressão Arbeit macht frei, perdão, Le bonheur du travail, monta-se o altar para Leila, que surge pendurada da parte superior do palco, totalmente coberta por véus coloridos. As personagens principais circulam pelos três níveis, o palco desce por vezes, escondendo o nível inferior. O jogo de luzes é de muito belo efeito, tudo resultando numa encenação simples mas vistosa e eficaz.


 A direcção musical foi do maestro suiço Patrick Fournillier. A Orquestra e Coro da ópera de Zurique ofereceram-nos uma boa interpretação da partitura que é de grande beleza melódica. Mas foram os solistas os maiores da noite.


 O barítono alemão Michael Volle foi um Zurga de luxo. Acho que será difícil encontrar melhor. Para além da interpretação cénica irrepreensível, vocalmente foi arrasador. Voz muito expressiva e de timbre bonito, tem uma potência avassaladora que encheu completamente o teatro e a alma de todos os que o ouviam. Foi sempre óptimo mas nos duetos com Nadir “Au fond du temple saint” e com Leila “Je fremis, je chancelle” foi insuperável. Fantástico!




 Pavel Breslik, tenor eslovaco, safou-se no exigente papel de Nadir. Tem uma voz bonita, não muito potente, mas muito agradável. Aparenta esforçar-se consideravelmente no registo mais agudo, mas consegue chegar às notas sem desafinar, mas perdendo um pouco do volume e harmonia. Na ária mais famosa “Je crois entendre encore” cumpriu mas, quando a oiço, não posso deixar de me lembrar de interpretações antológicas de outros, das quais está ainda distante.


 Também espantosa foi a Lélia do soprano letão Marina Rebeka. A voz é bonita, sempre afinada, de uma potência brutal e de uma expressividade marcada. Só se torna levemente agreste nas notas mais agudas que são cantadas mais em esforço, mas foi uma intérprete extraordinária. E o público bem o reconheceu.



O baixo norte americano Scott Conner foi um Nourabad de voz segura e bem audível, a não destoar dor restantes solistas.







Uma excelente récita em Zurique.

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LES PÊCHEURS DE PERLES (The Pearl Fishers), Opernhaus Zürich , February 2014

Les Pêcheurs of Perles is an opera by Georges Bizet with libretto by Eugène Cormon  and Michael Carré . The action takes place in Ceylon.

The pearl fishers elect Zurga as their leader. Nadir, a former friend of Zurga arises and the two recall that both fell in love with a woman but renounced love to her and swore eternal friendship. A virgin priestess covered with a veil arises, coming to protect  the fishermen. Nourabad, high priest, tells her she can never take the veil. Nadir recognizes her beloved Leila with whom he betrayed Zurga in the past. They make love each other again and are seen by Nourabad. The fishermen want to kill Nadir and Leila. Zurga says that it is he who decides, and condemns them to death. Leila asks him to spare Nadir as he found her by chance. Zurga says the betrayal of Nadir lets not chance to spare his life, but he is tormented by the love he also feels for Leila. When Nadir and Leila are about to be murdered, Zurga appears showing that a light in the sky is a divine sign. The fishermen flee and Zurga confesses that it was he who lit the fire to save the lives of the two lovers and help them escape, accomplishing his duty

The staging by Jens-Daniel Herzog is very interesting. The action takes place on a ship and is brought to the present days. The stage has three levels. On the bottom are the fishermen and workers extracting the pearls from the oysters, in an oppressive atmosphere, guarded by armed guards, the middle level is Zurga’s cabin with a bed and an office, where he keeps the pearls that are brought to him, and on the upper level, where it is written Arbeit macht frei, excuse-me,  Le bonheur du travail, the altar to Leila is mounted. She appears hanging from the top of the stage, completely covered by colored veils. The main characters circulate through the three levels, the stage lowers sometimes hiding the lower level. The lights have very beautiful effects, all resulting in a simple but eye catching and effective staging.

Musical direction was by Swiss maestro Patrick Fournillier. The Orchestra and Chorus of the Zurich Opera offered us a good interpretation of the score which is of great melodic beauty. But the soloists were the best of the performance.

German baritone Michael Volle was a fabulous Zurga. I think it will be hard to find a better.one In addition to the irreproachable artistic performance, vocally he was smashing. The voice is very expressive and with a beautiful timbre, he has an overwhelming power that completely filled the theater and the soul of all who heard him. He was always great, but in duets with Nadir "Au fond du temple saint" and with Leila "Je fremis, je chancelle" he was unsurpassed .Fantastic!


Pavel Breslik, slovak tenor, was acceptable in the demanding role of Nadir. He has a beautiful, though not very powerful, but very pleasant voice. He seems to struggle considerably in the high register, but he can sing all notes in tune, but losing a bit of volume and harmony. In the most famous aria " Je crois entender encore " he did well but, when I listen to this aria, I can not help remembering anthologic interpretations of other singers, from whom he is still distant.

Also amazing was Lelia by Latvian soprano Marina Rebek . The voice is beautiful, always in tune, powerful and very expressive. She only becomes slightly harsh on high notes that are sung in more effort, but she was an extraordinary performer.
And the audience acknowledge it.

North American bass Scott Conner was a strong and well audible Nourabad, in line with the other soloists.

An excellent performance in Zurich.

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quarta-feira, 26 de Março de 2014

SOKOLOV e KATIA e MARIELLE LABÈQUE — Ciclo de Piano da FCG, Março de 2014

(Review in English below)

(Painel de Almada Negreiros da Fundação Calouste Gulbenkian)


Dois fins-de-semana, dois registos distintos no Ciclo de Piano da Fundação Calouste Gulbenkian.

(www.gulbenkian.pt)




No dia 16 de Março ouviu-se o pianista russo Grigory Sokolov. O programa incluía a Sonata para Piano n.º 3, em Si menor, op. 58 de Fryderyk Chopin e diversas Marzurcas do mesmo compositor. A sensibilidade extrema de Sokolov elevou as obras de Chopin a patamares interpretativos de excelência. É impressionante a delicadeza com que trata o teclado e a forma como cria uma atmosfera intimista pianista-público, pelo que se percebe inteiramente a aura mística que criou em torno da sua figura. Percebe-se, às primeiras notas, que se está perante um pianista raro. E a sua generosidade foi inexcedível: tocou nada menos de 6 encores, entre eles os 4 Impromptus, op. 90, D. 899 de Franz Schubert, o que nos permitiu apreciar um registo distinto. Um concerto para recordar: uma semana depois, ouvi muitos comentários ao concerto de Sokolov e aos seus seis encores. Fabuloso!

(www.gulbenkian.pt)

No dia 22 de Março ouviram-se as duas pianistas francesas que formam o duo mais famoso mundialmente a tocar piano: Katia e Marielle Labèque. O programa incluiu, na primeira parte, os Three Preludes de George Gershwin — foram extremamente bem tocados — e os Four Movements for Two Pianos do norte-americano Philip Glass — obra extremamente rica em ritmos e colorações de um dos mais interessantes e pujantes compositores da actualidade, também ela interpretada de forma sublime pelas irmãs Labèque. A segunda parte foi inteiramente dedicada a West Side Story de Leonard Bernstein, aqui com arranjo para dois pianos e percussão de Irwin Kostal, uma encomenda específica de Bernstein para as irmãs Labèque.

(Seguiner — www.gulbenkian.pt)


(Grau — www.gulbenkian.pt)

Contou com a participação dos percussionistas Gonzalo Grau e Rapahel Seguinier. A obra é extremamente conhecida, pelo que a maioria das pessoas presentes terão reconhecido todos os temas, nomeadamente Mambo, America, Tonight e Somewhere.


A interpretação dos quatro elementos foi brilhante, de um ritmo incrível e de uma sintonia perfeita. America foi tocado novamente como encore, o que se percebe não sou pela beleza da composição como pelo excelente arranjo de Kostal que incluiu o sapateado de Seguinier. Foi mais um grande concerto de qualidade artística assinalável.

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(Review in English)

Two weekends, two distinct Piano Cycle concertos at Foundation Calouste Gulbenkian hall.

On March 16 there was the Russian pianist Grigory Sokolov. The program included the Sonata for Piano no. 3 in B minor, op. 58 by Fryderyk Chopin and several Chopin’s Marzurcas. The extreme sensitivity of Sokolov raised the works of Chopin to interpretive standards of excellence. It's amazing how gently he handles the keyboard and the way he creates an intimate atmosphere between pianist and audience. In that way you fully realize the mystical aura he created around his figure. One can see, at the first notes, that are facing a rare pianist. And his generosity was unsurpassed: he played anything less than 6 encores, including the 4 Impromptus, Op. 90, D. 899 by Franz Schubert, which allowed us to enjoy another musical register. A concert to remember: a week later, I heard many comments to the concert Sokolov gave and his six encores. Fabulous!

On March 22 we have heard the two French pianists who make up the world 's most famous duo playing piano: Katia and Marielle Labèque. The program included in the first half, the Three Preludes by George Gershwin — were extremely well played — and the Four Movements for Two Pianos by the american composer Philip Glass — it is a masterwork of extremely rich rhythms and colorations by one of the most interesting and vigorous composers of our days, here also played in a sublime way by the sisters Labèque. The second half was devoted entirely to West Side Story by Leonard Bernstein, here with arrangement for two pianos and percussion of Irwin Kostal. Katia and Marielle were accompanied by the percussionists Gonzalo Grau and Rapahel Seguinier. The work is extremely well known, so most people present will have recognized all themes, including Mambo, America, Tonight and Somewhere. The interpretation of the four artists was brilliant with an incredible rhythm and tune. America was played again as encore, which emphasizes not only the beauty of the theme as well as the excellent Kostal’s arrangement which included tap dance by Seguinier. It was another great concert of remarkable artistic quality.

sábado, 22 de Março de 2014

SOLOMON de GF Händel, Fundação Gulbenkian, Março/March de 2014

(o julgamento de Salomão / The judgment of Solomon; Gaetano Gandolfi)

 A oratória Solomon HWV 67 de G.F. Händel foi recentemente apresentada na Fundação Gulbenkian. Paul McCreesh dirigiu a Orquestra e o Coro Gulbenkian. Foram solistas o contratenor inglês Iestyn Davies como Salomão, o soprano português Inês Simões como Rainha de Salomão, o barítono português Hugo Oliveira como um levita, o tenor escocês Thomas Walker como Zadok, o soprano inglês Mhairi Lawson como 1ª prostituta, o mezzo português Catia Moreso como 2ª prostituta e o soprano escocês Gillian Webster como Rainha de Sabá.

 Iestyn Davies

A obra é de grande intensidade melódica e invulgar beleza. A interpretação foi em crescendo, com o primeiro acto razoável, o segundo bom e o terceiro excelente.

Mhairi Lawson

Os solistas tiveram interpretações de qualidade variável, merecendo destaque o contratenor Iestyn Davies, o soprano Mhairi Lawson e, sobretudo, o soprano Gillian Webster. 

Gillian Webster

No 3º acto, coro, orquestra e solistas estiveram ao mais alto nível, merecendo relevo o excelente “diálogo” entre o oboé de Pedro Ribeiro e a Rainha de Sabá (Gillian Webster).

Pedro Ribeiro

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The Oratory Solomon HWV 67 by GF Handel was recently presented at the Gulbenkian Foundation. Paul McCreesh directed the Gulbenkian Choir and Orchestra. The soloists were English countertenor Iestyn Davies as Solomon, Portuguese soprano Ines Simoes as Queen of Solomon, the Portuguese baritone Hugo Oliveira as a levite, Scottish tenor Thomas Walker as Zadok, English soprano Mhairi Lawson as the 1st prostitute, Portuguese mezzo Catia Moreso as 2nd prostitute and scottish soprano Gillian Webster as the Queen of Saba.

The piece is of an unusual intensity  and great melodic beauty. The interpretation has been in crescendo, with a reasonable first act, a good second act, and an excellent third act.

The soloists were of variable quality, deserving a special reference countertenor Iestyn Davies, soprano Mhairi Lawson and, especially,  soprano Gillian Webster .

During the 3rd act, chorus, orchestra and soloists were at the highest level, and I highlight the excellent "dialogue" between the oboe played by Pedro Ribeiro and the Queen of Sabá (Gillian Webster)


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